Seca força ribeirinhos do Alto Solimões a caminhar até 15 km para chegar ao rio no AM

  • 28/08/2025
(Foto: Reprodução)
Seca em Benjamin Constant A seca no Alto Solimões, no interior do Amazonas, tem obrigado moradores de comunidades ribeirinhas a deixarem suas casas e caminharem longas distâncias para alcançar a margem do rio. Em localidades como a comunidade Pesqueira, no município de Benjamin Constant, o trajeto pode chegar a 15 km por áreas de várzea com lama e vegetação densa. A mudança na rotina das famílias começou em maio, com o início da estiagem. Em 2025, Benjamin Constant voltou a enfrentar extremos climáticos: após decretar situação de emergência durante a cheia no primeiro semestre, agora convive com os impactos da vazante. Em 2024, o município já havia sido um dos mais afetados pela seca severa, que comprometeu o abastecimento de alimentos e água potável. ​​📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Diante das dificuldades de acesso causadas pela descida do Rio Solimões, o pescador Luiz Manoel, morador da comunidade Santa Maria, se mudou com a família para uma canoa, onde agora vive. "Geralmente fica muito longe de lá e eu gasto quase 1h20 caminhando. Eu preferi ficar aqui porque faço tratamento”, contou o pescador. Com a baixa do nível do rio, surgem extensas áreas de terra, bancos de areia e vegetação densa nas margens, o que dificulta o transporte de pessoas e o escoamento de produtos agrícolas. Em Benjamin Constant, mais de 60 comunidades rurais estão sendo impactadas pelo fenômeno. Na comunidade Pesqueira, uma das mais afetadas, onde vivem 22 famílias, os moradores começaram a abrir trilhas por dentro do mururuzal para tentar manter o acesso ao Rio Solimões. O trajeto, de até 15 km, é feito a pé, em meio a lama e vegetação, dificultando o transporte de alimentos e produtos cultivados na região. “Estamos andando 15 km no meio do mururuzal, carregando madeira [pra abrir caminho], porque senão ninguém consegue chegar com a banana lá", relatou o agricultor Ozenal Barbosa da Silva. "Nossa dificuldade começou de novo com a seca, o lamaçal, e estamos fazendo nossa ponte pra poder ter acesso pra fora", disse Jeiciane Salvador Barbosa, também moradora da comunidade. Diante da situação, os moradores pedem o apoio da prefeitura para o envio de triciclos — veículos que podem ser usados para transportar pessoas, mantimentos e a produção das roças durante o período de seca. Em resposta, a Prefeitura de Benjamin Constant informou que um comitê de crise foi criado para coordenar ações emergenciais na sede e nas comunidades da zona rural. Segundo o prefeito Semeide Bermeguy, a gestão deve adquirir 15 triciclos a partir de setembro para atender as localidades mais afetadas. "A comunidade Pesqueira será uma delas, pois tem grande dificuldade de acesso no período de estiagem e para transportar sua produção", afirmou. LEIA TAMBÉM: Rios no Amazonas iniciam processo de vazante e agricultores retomam cultivos para recuperar prejuízos Situação da vazante no Amazonas A Defesa Civil do Amazonas divulgou, no dia 11 de agosto, o prognóstico da estiagem de 2025. De acordo com os dados técnicos, a seca deste ano deve ter intensidade de leve a moderada, com previsão de afetar entre 20 e 30 municípios e impactar aproximadamente 480 mil pessoas. Ainda de acordo com o órgão, o envio de ajuda humanitária já começou, com prioridade para os municípios mais vulneráveis, localizados nas calhas dos rios Purus, Juruá e Madeira. Até a publicação desta reportagem, já haviam recebido cestas básicas e caixas d’água as cidades de Boca do Acre, Canutama, Eirunepé, Envira, Ipixuna, Lábrea e Pauini. Em Manaus, o rio Negro já baixou 1,99 metro em 50 dias após atingir a marca de 29,05 metros em 8 de julho — apenas cinco centímetros abaixo da cota de inundação severa, que é de 29 metros. Outros municípios também registraram quedas nos níveis dos rios: Itacoatiara: 12,44 metros; Tabatinga: 4,70 metros; Santo Antônio do Içá: 7,31 metros; Coari: 15,98 metros. Cidade de Benjamin Constant, no interior do Amazonas, afetada pela seca em 2024 Rede Amazônica

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2025/08/28/seca-forca-ribeirinhos-do-alto-solimoes-a-caminhar-ate-15-km-para-chegar-ao-rio-no-am.ghtml


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